A Portonave, primeiro terminal portuário privado de contêineres do Brasil, concluiu a compra de 30 Terminal Tractors elétricos (e-TTs) da fabricante holandesa Terberg, produzidos na Malásia, e cinco Reach Stackers elétricas (e-RSs) da finlandesa Kalmar, fabricadas na China. O investimento de aproximadamente R$ 61 milhões marca um avanço concreto na transição energética do terminal de Navegantes (SC), com os equipamentos movimentando contêineres no pátio e substituindo parcialmente a frota movida a diesel. O início das operações de todas as novas máquinas está previsto para janeiro de 2027.

O cálculo da descarbonização operacional

A substituição da frota diesel por equipamentos elétricos traduz-se em números expressivos de redução de emissões. A Portonave estima que a adoção das novas e-RSs reduzirá as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) em 80% especificamente nessa frota. Para os e-TTs, a queda projetada é de 30%, um impacto direto na pegada de carbono das operações de pátio do terminal catarinense.

Com a chegada das 30 novas unidades da Terberg, a frota total de Terminal Tractors passará a contar com 61 unidades, das quais 31 serão elétricas e 30 a diesel. A frota de Reach Stackers será ainda mais eletrificada, atingindo seis máquinas elétricas contra apenas uma unidade a diesel. Essa estratégia de transição gradual demonstra que a eletrificação de equipamentos pesados em portos já é uma realidade operacional viável economicamente, indo além de projetos-piloto isolados.

Potência e eficiência nas novas baterias

A escolha da Kalmar para fornecer as Reach Stackers seguiu critérios rigorosos de desempenho. Segundo Juliano Adão, gerente de manutenção da Portonave, a equipe visitou a fábrica da Kalmar na China para avaliar a montagem dos equipamentos e concluiu que as soluções da fabricante demonstraram velocidade e eficiência superiores em testes comparativos. As novas e-RSs chegam equipadas com baterias de 800 kWh, uma capacidade 50% superior à da Reach Stacker já em operação no terminal, que possui 533 kWh.

Marcelo Macedo Gonçalves, vice-presidente da Kalmar para a América Latina, afirmou que o pedido reflete a posição da Portonave como um dos terminais mais inovadores e focados em sustentabilidade da região. O registro do contrato ocorreu no segundo trimestre de 2026, com entrega programada para o quarto trimestre do mesmo ano, garantindo a operação plena até a data limite de janeiro de 2027.

Infraestrutura de suporte e capacitação

A eletrificação da frota exige uma revisão completa na infraestrutura de abastecimento. Para viabilizar o carregamento das máquinas, a Portonave vai erguer um eletrocentro com nove carregadores dedicados a equipamentos elétricos. Além da estrutura física, a operação de máquinas elétricas requer gestão diferente, principalmente no uso e otimização das baterias. Por isso, a empresa iniciará um programa de capacitação da equipe operacional para garantir a eficiência máxima das novas unidades.

Os equipamentos também agregam tecnologia voltada à segurança operacional. Todos contam com cabines ergonômicas, câmeras de monitoramento de perímetro, sistemas anticolisão e sistema automático de supressão de incêndio — itens que já se tornam padrão em modernos equipamentos de pátio de terminais de contêineres de alta performance.

O macro plano de investimentos

Este aporte de R$ 61 milhões integra um ambicioso plano de R$ 2 bilhões que a Portonave executa para ampliar sua capacidade de 1,5 milhão de TEUs para 2 milhões de TEUs. Em 2025, o terminal já havia recebido seus primeiros equipamentos elétricos — uma Reach Stacker e dois Scanners de inspeção — e, em abril do mesmo ano, anunciou a compra de R$ 439 milhões em equipamentos 100% elétricos, incluindo guindastes Ship-to-Shore (STS) da ZPMC e RTGs da Konecranes.

O investimento foi realizado no âmbito do regime tributário Reporto, que isenta empresas portuárias do recolhimento de tributos federais como IPI, Imposto de Importação, PIS e Cofins-Importação na aquisição de equipamentos. A legislação, criada em 2004, permite que o terminal direcione recursos poupados em impostos para modernização tecnológica e ampliação de capacidade.

Além da eletrificação de equipamentos de pátio, o pacote de investimentos inclui a Obra de Adequação do Cais, que permitirá a atracação de navios com até 400 metros de comprimento e calado de 17 metros. A Portonave, que movimentou 1,1 milhão de TEUs em 2025 e mantém média de 114 movimentos por hora (MPH) — líder segundo a ANTAQ —, posiciona-se como referência nacional em descarbonização e eficiência operacional.

Ao assumir a liderança na eletrificação de equipamentos pesados, a Portonave prova que a transição energética no setor portuário brasileiro avança a passos largos. O terminal de Navegantes transforma o plano bilionário em realidade operacional, gerando um modelo replicável para outros polos logísticos do país que buscam conciliar crescimento de capacidade com redução de impacto ambiental.