O protótipo Atlântico desenvolvido pela FEUP Academic Solar Team partiu de Matosinhos no dia 25 de julho de 2026 para percorrer cerca de 800 quilômetros da costa portuguesa até Vila Real de Santo António. A expedição Invocatio ocorre em 16 etapas e marca a primeira descida completa da costa nacional por uma embarcação movida exclusivamente a energia solar. A iniciativa criada por estudantes da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto testa a embarcação em condições reais do Oceano Atlântico e serve como prova de conceito final para o projeto iniciado em novembro de 2023.

Design inovador do Atlântico com foco em sustentabilidade

A FEUP Academic Solar Team foi fundada em novembro de 2023 com o objetivo de desenvolver projetos de engenharia naval que priorizem a inovação tecnológica e a sustentabilidade no setor marítimo. O Atlântico integra a categoria Solar Class e apresenta como diferencial principal um casco construído integralmente a partir de fibras naturais o que reduz o impacto ambiental associado à construção da embarcação desde a sua origem. Essa escolha de material reflete o compromisso da equipe em aplicar princípios de engenharia sustentável que podem influenciar futuras construções navais em escala maior ao demonstrar que alternativas ecológicas são viáveis para embarcações de porte reduzido destinadas a navegação costeira e testes experimentais. A integração de fibras naturais no casco não só atende a critérios de leveza e resistência necessários para o desempenho em mar mas também abre caminho para discussões sobre cadeias de suprimentos mais verdes na indústria naval onde a origem dos materiais ganha importância crescente diante de exigências regulatórias ambientais.

A construção com fibras naturais não apenas atende aos requisitos da categoria Solar Class mas também posiciona o protótipo como um exemplo de como universidades podem liderar o caminho para embarcações com menor pegada de carbono. Os estudantes aplicaram conhecimentos teóricos adquiridos durante a graduação para resolver desafios práticos de design e materiais resultando em uma solução que combina leveza resistência e respeito ao meio ambiente. O casco natural permite ainda uma análise detalhada do desempenho em mar aberto durante a expedição contribuindo para validação de tecnologias emergentes que podem ser replicadas em outros projetos acadêmicos ou industriais focados em redução de emissões.

Durante o desenvolvimento do Atlântico a equipe focou em sistemas de propulsão solar que convertem energia captada por painéis em eletricidade para mover a embarcação sem depender de combustíveis fósseis. Essa abordagem alinha o projeto com tendências de descarbonização no transporte marítimo onde a eficiência energética se torna cada vez mais essencial para operações costeiras e de curta distância. O teste em condições reais permitirá coletar dados sobre autonomia velocidade e durabilidade dos componentes sob influência de ondas vento e correntes típicas do Atlântico fornecendo subsídios concretos para aprimoramento contínuo.

Detalhes do percurso e paradas estratégicas na expedição Invocatio

A expedição Invocatio inicia em Matosinhos integrada à etapa inaugural da Volta a Portugal à Vela 2026 e prossegue com paradas em portos e marinas ao longo da costa incluindo Figueira da Foz Cascais Lisboa e Sines antes de concluir em Vila Real de Santo António. Cada etapa representa uma oportunidade para monitorar o comportamento do Atlântico em diferentes trechos marítimos e ajustar estratégias de navegação com base nas condições encontradas. A duração total prevista de 16 etapas distribui o percurso de 800 quilômetros ao longo de aproximadamente 16 dias permitindo uma avaliação gradual do desempenho da embarcação sob variadas situações operacionais.

Durante as escalas o protótipo Atlântico permanece em exposição pública nos portos visitados o que permite que profissionais da área portuária estudantes e entusiastas do setor marítimo interajam diretamente com a tecnologia solar. Essa interação promove a disseminação de conhecimentos sobre energias renováveis aplicadas à navegação e incentiva o debate sobre como soluções como essa podem ser adaptadas para uso em operações logísticas e de transporte costeiro. A visibilidade do projeto em locais estratégicos como Lisboa e Sines amplia o alcance da mensagem de sustentabilidade para além do ambiente acadêmico alcançando públicos diversos envolvidos na cadeia de suprimentos marítima.

O percurso em mar aberto submete a embarcação a desafios específicos do Oceano Atlântico como variações climáticas correntes e ondas que testam não apenas os sistemas de energia mas também a integridade estrutural do casco de fibras naturais. A equipe da FAST utiliza esses testes para validar as soluções implementadas e identificar áreas de melhoria que poderão ser aplicadas em protótipos futuros ou em colaborações com a indústria naval. A integração com a Volta a Portugal à Vela 2026 proporciona visibilidade adicional ao projeto ao associá-lo a um evento reconhecido no calendário náutico nacional que atrai atenção de especialistas e mídia especializada.

Os dados coletados ao longo das 16 etapas incluem informações sobre consumo de energia geração solar e eficiência da propulsão em diferentes velocidades e condições de mar. Esses registros servirão como base para relatórios técnicos que a equipe compartilhará com a comunidade acadêmica e possivelmente com empresas do setor interessadas em tecnologias limpas para embarcações de pequeno e médio porte. A expedição representa assim não apenas uma jornada física mas também um marco no desenvolvimento de competências práticas para os estudantes envolvidos que poderão aplicar esses aprendizados em carreiras futuras no setor portuário e marítimo.

Validação de tecnologias sustentáveis no contexto marítimo

O projeto do Atlântico demonstra como iniciativas universitárias podem contribuir para o avanço de soluções sustentáveis no setor marítimo ao combinar pesquisa aplicada com testes em campo. A prova de conceito em mar aberto valida a viabilidade de embarcações solares para rotas costeiras e abre perspectivas para aplicações em logística portuária onde a redução de emissões se torna uma prioridade cada vez mais presente nas operações diárias. A escolha de materiais naturais no casco reforça o potencial de inovações que minimizam impactos ambientais ao longo de todo o ciclo de vida da embarcação desde a construção até o descarte final.

A promoção do projeto durante as paradas em diversos portos portugueses estimula o interesse de profissionais e estudantes por tecnologias que integram energia solar à navegação tradicional. Essa abordagem educativa complementa a formação acadêmica ao oferecer experiências reais que preparam os futuros engenheiros para desafios do mercado de trabalho no setor de transporte marítimo e logística. O sucesso da expedição pode inspirar outras equipes universitárias a desenvolver projetos semelhantes em diferentes regiões do globo ampliando o ecossistema de inovação em energias renováveis aplicadas ao mar.

Além de testar a tecnologia o Atlântico serve como plataforma para discutir o papel da inovação acadêmica no suporte à transição energética do setor naval. Universidades como a FEUP atuam como incubadoras de ideias que posteriormente podem ser adotadas por estaleiros e operadoras marítimas em busca de conformidade com normas ambientais mais rigorosas. A expedição Invocatio ilustra de forma prática como o conhecimento gerado em salas de aula e laboratórios se traduz em soluções aplicáveis ao mundo real que beneficiam tanto o meio ambiente quanto a eficiência operacional das cadeias logísticas marítimas.

A expedição Invocatio com o protótipo Atlântico consolida o papel de projetos estudantis no avanço de tecnologias sustentáveis para a navegação costeira. O percurso de 800 quilômetros em 16 etapas fornece dados valiosos sobre o desempenho em condições reais e reforça a importância de parcerias entre academia e setor marítimo para o desenvolvimento de soluções limpas.

O marco alcançado pela FEUP Academic Solar Team sinaliza oportunidades para expansão de iniciativas semelhantes que contribuam para uma navegação mais eficiente e ambientalmente responsável no futuro próximo.