A Maersk divulgou em 17 de julho de 2026 um comunicado informando que um extenso programa de obras de infraestrutura ferroviária na Itália, gerenciado pela RFI, causará restrições operacionais nos serviços intermodais conectando os portos da Ligúria até o final de setembro de 2026. Os portos de Vado Ligure, Gênova e La Spezia enfrentarão desafios em rotas para hubs internos como Pádua, Verona e Milão. Avisos semelhantes foram emitidos por Hapag-Lloyd e Kuehne+Nagel, detalhando múltiplos períodos de fechamentos e reduções de capacidade. Essas medidas impactam diretamente os fluxos de contêineres na cadeia logística europeia, forçando transportadoras e clientes a antecipar reservas e considerar opções alternativas para manter a continuidade das operações.

Fechamentos de linhas chave limitam conexões entre portos e terminais internos

Entre 2 e 16 de agosto, o fechamento da linha ferroviária entre Verona e Vicenza gera restrições de capacidade nas conexões entre os portos da Ligúria e Pádua. Serviços como os de Pádua-Gênova Voltri e Pádua-La Spezia são particularmente afetados por essa interrupção. A medida faz parte de um cronograma mais amplo de intervenções que inclui o fechamento da rota via Ovada de 17 de agosto a 14 de setembro, criando limitações específicas para contêineres de 40 pés de alto cubo transportados da Ligúria para todos os hubs internos. Transportadoras implementam rotas alternativas onde possível, mas os tempos de trânsito tendem a aumentar e a flexibilidade da rede diminui.

Outra restrição relevante ocorre entre 24 e 29 de agosto, quando o serviço ferroviário na rota Vado-Verona fica indisponível em ambos os sentidos devido à interrupção da linha. O fechamento da linha Mignanego de 18 de julho a 17 de agosto força o redirecionamento de trens para corredores alternativos via Ovada e Busalla, resultando em tempos de trânsito estendidos. Durante o período de 17 a 28 de agosto, obras na área de Busalla impõem limitações de capacidade e frequência reduzida para serviços a partir de Gênova Voltri, com capacidade para contêineres de alto cubo potencialmente reduzida, exigindo o uso de vagões de plataforma baixa.

Adicionalmente, o fechamento da linha Milão-Bolonha entre 10 e 18 de agosto causa redução significativa na capacidade disponível, afetando serviços como Milão-Gênova, Milão-La Spezia, Pádua-Gênova e conexões para Livorno. O redirecionamento de tráfego de passageiros de alta velocidade para linhas de carga em Piacenza durante esse período também contribui para a diminuição da capacidade de frete. Esses fechamentos simultâneos em agosto criam um período particularmente desafiador para o movimento de cargas intermodais na região norte da Itália.

Manutenção na ponte sobre o Po e suspensões em terminais internos ampliam as restrições

A manutenção na ponte sobre o rio Po, entre San Martino Cava Manara e Bressana Bottarone, programada de 3 de junho a 30 de setembro de 2026, visa reforço estrutural e atualizações para suportar velocidades de até 180 km/h na linha. A intervenção ocorre em fases: de 3 de junho a 19 de julho, uma via fica indisponível entre Voghera e Pavia; entre 20 de julho e 28 de agosto, o tráfego ferroviário é suspenso inteiramente em ambas as vias entre Pavia e Voghera; e de 29 de agosto a 30 de setembro, uma via permanece fechada. Essas etapas afetam diretamente a frequência e capacidade de serviços para e de Milão, incluindo rotas para Gênova e La Spezia.

Nos períodos de semanas 34 e 35, correspondentes a 17 a 30 de agosto, espera-se a suspensão completa dos serviços ferroviários para e de Dinazzano e Gênova GPT. Alternativas via Livorno estão sujeitas a disponibilidade limitada, enquanto o transporte rodoviário de Dinazzano para Gênova GPT fica disponível à tarifa pública round-trip da SEIT. Custos de armazenamento e demurrage permanecem de responsabilidade do cliente durante esses períodos de interrupção.

Outras limitações incluem a redução possível na frequência de trens e capacidade disponível para serviços a e de Milão devido a obras na área da ponte do Po de 1 de junho a 28 de setembro. O fechamento da linha Milão-Bolonha adiciona pressão sobre rotas alternativas. Operadores trabalham com gestores de infraestrutura para minimizar impactos, mas os clientes são incentivados a planejar envios com antecedência para evitar cancelamentos não planejados e atrasos.

Interrupções no Brenner afetam o tráfego transalpino de cargas

De 18 de julho a 1 de agosto, a rota transalpina inteira fica indisponível para serviços de longa distância, incluindo trens de carga, devido a obras de manutenção extraordinária programadas pela RFI. A partir de 18 de julho, o acesso à estação de Brenner não é possível, com trens locais operando apenas até e a partir de Gries am Brenner. A ÖBB utiliza essa janela para a primeira fase de manutenção entre as estações de Steinach e Brenner.

Uma segunda fase de 23 de julho a 1 de agosto fecha a seção de Innsbruck até a Passagem do Brenner. Na rampa sul, trens de longa distância entre Innsbruck e Bolzano são parcialmente suspensos de 17 de julho a 1 de agosto, gerando repercussões significativas para os serviços de frete. Do lado austríaco, obras incluem a reabilitação do túnel Mühltal para reparar danos causados por geada e manutenção entre Patsch e Brenner.

A RFI iniciou a construção das primeiras duas de quatro variantes prioritárias, incluindo a seção entre Fortezza e Ponte Gardena e o desvio de carga de Trento. A Áustria continua os trabalhos para quadruplicar a linha histórica em novo alinhamento a partir de Innsbruck, com o plano de infraestrutura da ÖBB para 2027-2032 prevendo a conclusão das linhas de acesso à base do túnel. Essas intervenções, embora necessárias para modernização, adicionam camadas de complexidade ao já apertado cronograma de verão.

Os comunicados de Maersk, Hapag-Lloyd e Kuehne+Nagel reforçam a importância de reservas antecipadas e do uso de alternativas como o transporte rodoviário, embora com custos adicionais assumidos pelos clientes. As restrições concentram-se principalmente em agosto, com múltiplos fechamentos sobrepostos que reduzem a flexibilidade operacional da rede intermodal italiana.

Embora as obras visem melhorias estruturais e de capacidade a longo prazo, como o aumento de velocidade na linha do Po, os participantes da cadeia de suprimentos devem monitorar atualizações constantes dos cronogramas para adaptar estratégias e garantir a fluidez do transporte de cargas até o final do período de intervenções em setembro de 2026.