O Porto Lisboa-Setúbal apresentou em junho de 2026 investimentos e projetos estruturantes superiores a 1,2 mil milhões de euros para a próxima década, com foco em modernização de terminais, automação de processos, digitalização e eletrificação de acessos. A iniciativa envolve maioritariamente recursos privados e integra a estratégia nacional Portos 5+ sob a visão integrada Twin Ports, One Vision, Two Gateways. O anúncio ocorreu durante o Info Day na Gare Marítima de Alcântara, com participação de Vítor Caldeirinha, presidente da administração portuária, e representantes de empresas como Yilport Iberia, Grupo ETE e Silotagus.

Plano de investimentos em terminais e capacidade

Os recursos preveem modernização de terminais de contentores e multipurpose em Lisboa, além de ampliação do terminal de granéis líquidos do Barreiro. Em Setúbal, o foco recai sobre modernização de terminais e expansão da área industrial e naval da Mitrena. A Liscont, operada pela Yilport Iberia, estabelece meta de atingir cerca de um milhão de TEU por ano, conforme detalhado por Bruno Vale durante o evento.

O Terminal Silotagus recebe investimentos específicos para granéis, enquanto a Sadoport integra o planejamento conjunto. Essas ações buscam elevar a capacidade total dos dois portos, que atualmente movimentam 18,2 milhões de toneladas de mercadorias anuais.

A meta declarada é atingir 25 milhões de toneladas até 2035, mantendo alinhamento com objetivos de competitividade no comércio marítimo europeu. A distribuição dos investimentos prioriza projetos de iniciativa privada em consonância com a visão Twin Ports.

Reforço das acessibilidades ferroviárias

Em Setúbal, o projeto de modernização e eletrificação dos acessos ferroviários recebeu consignação em março de 2026, com conclusão prevista para 2027. O investimento de 40 milhões de euros abrange o troço entre o porto e Praias-do-Sado, conectando terminais como Sadoport, Tersado, Somincor e o terminal ro-ro de veículos ligeiros da Autoeuropa, que movimenta cerca de 350 mil veículos por ano.

Em Lisboa, os acessos ferroviários e a Linha de Cintura demandam recursos superiores a 500 milhões de euros, conforme exposto por Carlos Fernandes da Infraestruturas de Portugal. A previsão indica 2.900 comboios anuais até 2030, com redução estimada de 200 mil toneladas de emissões de CO2.

Rui Pais, do Grupo ETE, e José Castel-Branco, da Silotagus, participaram das discussões sobre integração logística. O novo feixe de linhas na Cachofarra complementa a infraestrutura para suportar o aumento de volumes.

Digitalização e automação com IA

Em janeiro de 2026, as administrações dos portos lançaram ciclo de modernização tecnológica com investimento de 750 mil euros em inteligência artificial e novo datacenter integrado. Cerca de 700 mil euros destinam-se ao datacenter, cedido em dezembro, que atenderá conjuntamente Lisboa e Setúbal.

O projeto de IA, orçado em 52 mil euros, concentra-se na capacitação de recursos humanos e insere-se no eixo de digitalização e automação da estratégia Portos 5+. O sistema Onshore Power Supply (OPS) entra em operação em Lisboa ainda em 2026, permitindo alimentação elétrica de navios atracados.

Essas medidas reduzem emissões e otimizam fluxos operacionais, alinhando-se a exigências de transição energética no setor marítimo.

Perspectivas de expansão integrada

A visão Twin Ports consolida Lisboa e Setúbal como gateways complementares, com investimentos que reforçam conexões ferroviárias e áreas logísticas. A participação de múltiplos atores privados e públicos no Info Day de junho de 2026 evidencia coordenação para execução dos projetos.

Os desdobramentos incluem maior integração com cadeias de suprimentos europeias e redução de gargalos em acessos terrestres. O cronograma prevê conclusão de etapas ferroviárias em 2027 e avanço contínuo na digitalização.