Portos brasileiros batem recorde de cargas e buscam soluções verticais

Os portos brasileiros movimentaram mais de 1,4 bilhão de toneladas de cargas em 2025, conforme dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários. Diante da escassez de espaço em terra, a logística portuária avança com terminais de transbordo vertical que permitem armazenar e movimentar mercadorias em altura quando o terreno se torna limitado.

Essa verticalização surge como resposta direta à falta de área disponível em terminais consolidados. O modelo elimina a necessidade de expansão horizontal e integra-se à cadeia de suprimentos sem alterar o fluxo de navios.

Paulo Narcélio Simões Amaral destaca tecnologia como vetor de eficiência

O economista Paulo Narcélio Simões Amaral avaliou que a tecnologia portuária transforma dados em decisões operacionais. Segundo ele, portos que operam com base em dados conseguem reduzir custos logísticos e aumentar sua capacidade de resposta às demandas do comércio exterior.

Amaral reforçou que a eficiência portuária não pode ser analisada de forma isolada. É preciso integrar toda a cadeia, e a tecnologia é o elo que permite essa conexão entre terminais, armazéns e operadores logísticos.

Ele acrescentou que portos mais eficientes significam cadeias produtivas mais competitivas, impactando desde o agronegócio até a indústria de transformação. Os custos logísticos no Brasil representam cerca de 18% do PIB, segundo a Confederação Nacional da Indústria.

IA identifica sobrepreços no landed cost de importações

O comércio exterior brasileiro movimentou volumes recordes nos últimos anos, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC). A inteligência artificial aplicada ao landed cost permite detectar sobrepreços em componentes como frete internacional, tributos federais e despesas aduaneiras.

O landed cost inclui mercadoria no valor FOB, frete internacional, seguro internacional, tributos como II, IPI, PIS-Importação e Cofins-Importação, além de ICMS, despesas aduaneiras, demurrage e frete interno. O valor aduaneiro segue o Acordo de Valoração Aduaneira (AVA-GATT) e a IN RFB nº 2.090/2022.

Sinais de sobrepreço aparecem quando não se conhece o preço médio por NCM, quando se mantém um único fornecedor ou quando não se revisa o Incoterm e a classificação fiscal. A IA compara histórico de importações por NCM com dados de mercado e realiza benchmarking com concorrentes.

Integração entre verticalização e análise de dados reduz ineficiências

A combinação de terminais de transbordo vertical com ferramentas de IA oferece visibilidade de ETA e elimina planilhas manuais. O diagnóstico em cinco passos inclui análise do histórico por NCM, comparação com mercado, mapeamento de fornecedores, reavaliação de Incoterm e revisão de classificação fiscal.

Essa abordagem permite reavaliar contratos de frete e identificar oportunidades de benefícios fiscais que antes passavam despercebidos. A integração entre operações portuárias verticais e análise preditiva de custos fortalece a competitividade das importações brasileiras.