Companhia Porto Piauí e SC Portos Operações Portuárias formalizaram em maio de 2026 um Memorando de Entendimento para avaliar a viabilidade econômica e operacional de rotas regulares de cabotagem entre o Porto de Luís Correia, no litoral piauiense, e terminais da costa brasileira, com foco na integração entre Sul, Nordeste e Norte.

Conteúdo do Memorando de Entendimento

O documento preliminar prevê a designação de representantes de cada parte para coordenar pesquisas sobre modelos de operação, estrutura de custos e fluxos potenciais de carga. A parceria utiliza a experiência da SC Portos em logística internacional e operação de terminais como base metodológica para os levantamentos.

Os estudos em andamento apontam que as rotas conectariam o litoral catarinense ao litoral piauiense, funcionando como corredor logístico marítimo entre extremos da costa brasileira. O acordo foi precedido por uma apresentação conjunta do presidente da Porto Piauí e de diretores da SC Portos durante a Intermodal 2026, evento de logística e transporte de carga realizado em São Paulo.

A Universidade Federal de Santa Catarina realiza, por meio de seu laboratório especializado, o plano de negócios do TUP de Luís Correia, incluindo estudos aprofundados de mercado, identificação de rotas de escoamento estratégicas e levantamento de custos logísticos. A equipe esteve na sede da Companhia Porto Piauí em outubro de 2024 para coleta de dados primários e visita às obras.

Características do Porto de Luís Correia

O Porto de Luís Correia está em fase de implantação do Terminal de Uso Privado, cujo contrato de adesão com o Ministério de Portos e Aeroportos foi firmado em 2024. O investimento total previsto para o complexo alcança R$ 2,5 bilhões, com capacidade para operar granel sólido mineral e vegetal, granel líquido e gasoso, carga geral e carga conteinerizada.

O cais multipropósito, concluído em 14 meses, tem 150 metros de comprimento, com 16 pontos de amarração, e capacidade inicial para receber embarcações de até 10 mil toneladas, com expansão prevista para até 45 mil toneladas. A inauguração oficial ocorreu em 5 de maio, com presença do governador Rafael Fonteles e do ministro Silvio Costa Filho, do Ministério de Portos e Aeroportos.

A projeção é de que as operações comerciais gerem R$ 300 milhões por ano na economia local. O porto está localizado na foz do Rio Igaraçu, braço do Rio Parnaíba, e abrigará terminais pesqueiro, de cargas gerais, de grãos, de minérios e de hidrogênio e amônia verdes.

Contexto da cabotagem no Nordeste

Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários consolidados pelo Ministério de Portos e Aeroportos, a cabotagem movimentou 60,7 milhões de toneladas nos portos do Nordeste em 2025, volume superior às 60,3 milhões de toneladas registradas em 2024. A concentração permanece restrita a quatro estados: Bahia com 15,3 milhões de toneladas, Maranhão com 14,6 milhões, Ceará com 12,9 milhões e Pernambuco com 12,8 milhões, que juntos responderam por 91,6% do total regional.

O Piauí ainda não integra o mapa da cabotagem nordestina, o que indica que o TUP de Luís Correia, quando operacional, representará a entrada do estado nessa malha. Os produtos mais transportados por cabotagem no Nordeste em 2025 foram petróleo com 13,3 milhões de toneladas, contêineres com 12,5 milhões, derivados de petróleo com 11,7 milhões, bauxita com 9,8 milhões e minério de ferro com 4,3 milhões de toneladas.

O desempenho regional está associado ao Programa BR do Mar, política federal de estímulo à navegação entre portos do mesmo país, que modernizou o marco regulatório do setor, ampliou a oferta de embarcações e elevou a previsibilidade jurídica para novos operadores. O Ministério de Portos e Aeroportos formalizou também um acordo de cooperação técnica entre a União e o Estado do Piauí para delegação da Hidrovia do Parnaíba ao estado, ampliando o escopo logístico do complexo portuário.

O total de investimentos anunciados para o complexo de Luís Correia e a hidrovia aproxima-se de R$ 1 bilhão em aportes diretos do governo federal, além dos R$ 2,5 bilhões previstos para o TUP.