O Ministério de Portos e Aeroportos destina R$ 10 bilhões em obras de ampliação da capacidade portuária para permitir o atracamento de navios de nova geração e conectar esses investimentos a projetos de hidrogênio verde e eletrificação nos portos de Santos, Suape, Pecém e Açu.

Ampliação física atende demanda de navios maiores

As obras incluem dragagem, ampliação de berços e construção de novos terminais que elevam a profundidade operacional e o comprimento de atracação. Santos, principal porto do país, receberá parte significativa dos recursos para modernizar o canal de acesso e os cais existentes.

Suape, em Pernambuco, Pecém, no Ceará, e Açu, no Rio de Janeiro, também figuram no plano com intervenções que preparam os terminais para embarcações com maior calado e capacidade de carga. Os projetos preveem conclusão de etapas principais até 2028.

Empresas operadoras como a Santos Brasil e a Portuaria Pecém já iniciaram licitações para os primeiros lotes de obras, alinhadas ao cronograma do ministério.

Hidrogênio verde e eletrificação integram o mesmo pacote

Os investimentos em infraestrutura física caminham juntos com iniciativas de descarbonização. Projetos de hidrogênio verde em Suape e Pecém preveem produção local para abastecer navios e equipamentos portuários, enquanto a eletrificação dos cais avança em Santos e Açu.

O Ministério de Portos e Aeroportos coordena esses programas com recursos do Fundo de Investimento Portuário e parcerias com a iniciativa privada. A meta é reduzir as emissões do transporte marítimo que hoje representam cerca de 3% dos gases de efeito estufa globais.

Um exemplo recente é o projeto de OPS em Santos, que permite navios desligarem motores a diesel durante a estadia no porto e conectarem-se à rede elétrica local.

Portos brasileiros avançam em eletrificação e hidrogênio para cortar emissões marítimas

Impacto nas cadeias de suprimentos e na competitividade

Com capacidade para navios maiores, os portos brasileiros reduzem o custo por tonelada transportada e diminuem o tempo de espera em fila. Essa eficiência beneficia exportadores de grãos, minério e produtos manufaturados que dependem de rotas marítimas longas.

A integração com hidrogênio verde abre caminho para novos contratos de fornecimento de energia limpa para a frota internacional, especialmente em rotas que ligam o Brasil à Europa e à Ásia.

Empresários do setor já relatam interesse de armadores em escalas fixas nesses terminais após a conclusão das obras.

Perspectiva para os próximos anos

Os recursos bilionários e os projetos de energia limpa colocam o Brasil em posição de acompanhar o ritmo de modernização observado em portos europeus e asiáticos. Mesmo diante de desafios históricos de execução de obras públicas, os avanços registrados em 2025 e 2026 mostram que o setor consegue evoluir quando investimentos e planejamento técnico caminham juntos.