O Terminal Portuário de Vila Velha (TVV), controlado pela Log-In Logística, recebeu autorização da Receita Federal em 6 de maio de 2026 para alfandegar a Retroárea Penedo, adicionando 70 mil m² de área operacional no Espírito Santo.

Expansão técnica da TVV amplia opções de escoamento

A injeção de R$ 35 milhões, somada aos R$ 170 milhões já aplicados em renovação tecnológica até 2024, permite que o terminal opere contêineres e carga geral com maior previsibilidade. Gustavo Paixão, diretor de terminais da Log-In, explicou que as negociações iniciadas em 2022 resultaram em contrato fechado em 2025, após o TVV ter perdido volumes para Santos e Rio em 2024 por operar acima da capacidade máxima durante a safra de café.

A nova área alfandegada reconecta o terminal à malha ferroviária e reduz o tempo de permanência de contêineres, melhorando a integração entre modais marítimo e rodoviário. O projeto prioriza redesenho de layout interno em vez de aquisição de novos terrenos, elevando a produtividade por hora trabalhada sem expansão territorial.

Para profissionais do setor, o caso demonstra como investimentos em ativos existentes geram retorno imediato em eficiência logística. Estudantes podem observar que a otimização de fluxos de informação entre despachantes e autoridades aduaneiras é tão relevante quanto a potência dos equipamentos de cais.

Iniciativas governamentais alinham portos a metas de redução de emissões

O Ministério de Portos e Aeroportos registrou avanços paralelos em eletrificação e uso de energia renovável. O Porto de Santos opera sistema Onshore Power Supply desde 2024, permitindo que navios desliguem motores auxiliares durante atracação. O Porto de Suape, em Pernambuco, tornou-se o primeiro terminal de contêineres 100% eletrificado da América Latina.

Em Paranaguá, investimentos em energia solar iniciados em 2023 já reduzem o consumo de diesel nos equipamentos de pátio. O Complexo do Pecém, no Ceará, avança como hub de hidrogênio verde previsto para 2030, enquanto o Porto do Açu desenvolve corredor verde para combustíveis de baixo carbono. Alex Ávila, secretário nacional de Portos, destacou que essas estruturas são estratégicas para a descarbonização da navegação.

O Índice de Desempenho Ambiental da Navegação (IDA-Navegação) monitora 39 indicadores e integra o Programa de Descarbonização de Portos lançado em 2025. Trinta e seis empresas foram reconhecidas no Pacto pela Sustentabilidade durante a COP30 em Belém.

Perspectivas para a cadeia de suprimentos

A ampliação da TVV e as ações de eletrificação em portos de grande porte mostram que o setor brasileiro combina expansão de capacidade com redução de emissões. O movimento reforça a posição do Espírito Santo como alternativa para cargas de Minas Gerais e sul da Bahia, especialmente café e tubos offshore.

Tomé Franca, ministro de Portos e Aeroportos, reiterou o compromisso com políticas que alinhem o Brasil ao Acordo de Paris. Mesmo diante de gargalos históricos em infraestrutura nacional, os investimentos de 2026 indicam que o mercado logístico continua a evoluir e a ganhar competitividade global.