O Governo Federal anunciou em 14 de maio de 2026 medidas preventivas para reduzir impactos de uma possível estiagem na navegação dos rios Amazonas e Solimões. O Ministério de Portos e Aeroportos, junto com o DNIT e a Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação, planeja dragagens, reforço de sinalização náutica e contratos permanentes de manutenção hidroviária. O objetivo é manter o fluxo de cargas, o abastecimento de municípios e o transporte de passageiros na região Norte.
Planejamento de Dragagens e Manutenção Hidroviária
Os contratos permanentes de manutenção permitem intervenções rápidas em trechos críticos antes que os níveis dos rios caiam demais. Em 2024 o Rio Amazonas registrou apenas 83 centímetros em Itacoatiara, o menor valor em 49 anos, e 1,9 metro em Parintins. Essas condições paralisaram embarcações e elevaram custos logísticos para o escoamento de soja e milho produzidos no Norte.
O DNIT ampliou os contratos existentes para priorizar pontos identificados pelo monitoramento técnico contínuo. A sinalização náutica também será reforçada para orientar pilotos em canais mais estreitos durante a estiagem. Essas ações substituem respostas reativas por um calendário preventivo baseado em dados históricos de 2023 e 2024.
Lançamento do Painel de Monitoramento das Hidrovias
O Painel de Monitoramento das Hidrovias reunirá dados em tempo real sobre níveis d’água, vazão e condições de navegabilidade. O sistema integrará informações do DNIT, da Marinha e de estações hidrométricas para alertar autoridades com antecedência. O secretário Otto Luiz Burlier e o diretor Eliezé Bulhões participaram da estruturação da ferramenta, que será acessível a operadores portuários e transportadores.
O ministro Tomé Franca afirmou que a iniciativa busca evitar prejuízos ao abastecimento de cidades como Manacapuru, Tabatinga e Parintins. O painel permitirá redirecionar cargas para rotas alternativas ou ajustar calados de embarcações antes que a navegação seja interrompida. A integração de dados entre órgãos federais substitui comunicações fragmentadas que marcaram as secas anteriores.
Impactos no Transporte de Cargas Agrícolas
A navegação fluvial é a principal via de escoamento para grãos produzidos no Norte e no Centro-Oeste que seguem para portos de exportação. Quando os níveis caem, barcaças reduzem carga ou ficam paradas, elevando frete e atrasando entregas. Os contratos de manutenção agora contemplam trechos prioritários para preservar pelo menos 1,5 metro de calado durante o período seco.
Empresas de navegação já ajustam rotas e horários com base nas projeções do novo painel. A antecipação de obras de dragagem em pontos estratégicos deve reduzir o tempo de espera que chegou a semanas em 2024. O fluxo contínuo de fertilizantes e defensivos agrícolas também depende dessas rotas, pois o transporte rodoviário alternativo encarece o custo final.
A experiência de 2023 e 2024 mostrou que a falta de planejamento prévio ampliou prejuízos para produtores e municípios ribeirinhos. Com ações iniciadas em maio, o governo busca encurtar a janela de vulnerabilidade e manter a competitividade das exportações que passam pela Amazônia.