O Porto de São Francisco do Sul e o Terminal de Contêineres de Paranaguá implementaram, ao longo de 2025, novas diretrizes operacionais e ampliações de calado para otimizar o fluxo de fertilizantes e grãos. Estas medidas visam reduzir gargalos logísticos e aumentar a competitividade do comércio exterior brasileiro através de normas internas e melhorias técnicas na infraestrutura portuária.
Gestão de berços e prioridade operacional
Para alcançar a marca de 2,75 milhões de toneladas de fertilizantes importadas em 2025, o Porto de São Francisco do Sul adotou uma norma interna que prioriza a atracação desses insumos em berços específicos. Essa estratégia, sob a gestão do presidente Cleverton Vieira, resultou em uma redução de 60% no tempo de espera dos navios, permitindo que o terminal catarinense respondesse por 6% de toda a demanda nacional de adubos.
O reflexo dessa eficiência estende-se ao agronegócio exportador. Na exportação de milho, o porto elevou sua participação para 7,7% do volume nacional em 2025, movimentando parte das 41 milhões de toneladas embarcadas pelo Brasil. Tais indicadores provam que a regulação técnica do uso do espaço portuário consegue destravar o potencial logístico e agilizar o fluxo de mercadorias essenciais para a balança comercial sem depender exclusivamente de grandes obras imediatas.
Calado e capacidade em Paranaguá
Paralelamente, o Terminal de Contêineres de Paranaguá avançou na capacidade de recepção de grandes embarcações ao consolidar o calado operacional de 13,30 metros. Esta modificação técnica viabilizou a operação plena de navios como o MSC Bianca, que agora transitam com volumes significativamente superiores de carga, eliminando restrições de profundidade que antes comprometiam a rentabilidade das escalas na região Sul.
A ampliação do calado atende à tendência de gigantismo das frotas internacionais. Ao permitir que os navios operem com maior carregamento, a infraestrutura paranaense reduz o custo logístico unitário e atrai novas linhas de longo curso para o terminal. Esta evolução técnica em Paranaguá soma-se aos ganhos de produtividade de São Francisco do Sul, consolidando a região como um eixo estratégico de alta performance marítima.
Os avanços registrados nos portos do Sul evidenciam que o amadurecimento do setor portuário depende da integração entre investimentos estruturais e inteligência na gestão operacional. O crescimento expressivo na movimentação de fertilizantes e o aprofundamento técnico dos berços são respostas diretas às exigências da navegação moderna e das demandas globais de suprimentos.
Embora persistam desafios logísticos nas conexões terrestres, o setor demonstra fôlego para evoluir e superar limitações por meio de soluções técnicas eficazes e planejamento estratégico. O cenário atual aponta para um fortalecimento contínuo da logística portuária nacional, reforçando a percepção de que o país mantém sua trajetória de modernização e crescimento mesmo diante de complexidades estruturais históricas.