O setor de mineração brasileiro alcançou um faturamento recorde em 2025, consolidando sua posição como um pilar da economia nacional ao responder por 55% do saldo da balança comercial. Este desempenho notável está intrinsecamente ligado à eficiência da logística de escoamento, onde a cabotagem, especialmente na Região Norte, se destaca como um vetor estratégico. A sinergia entre a extração de riquezas minerais e o fortalecimento das rotas marítimas internas está não apenas otimizando o transporte, mas também promovendo um novo ciclo de desenvolvimento regional.
Desempenho Histórico da Mineração
De acordo com balanço divulgado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), a indústria mineral faturou R$ 298,8 bilhões em 2025, um crescimento de 10,3% em relação a 2024. Esse resultado gerou um saldo comercial de 37,6 bilhões de dólares para o segmento, o que representa mais da metade do superávit total do Brasil, que foi de 68,3 bilhões de dólares. Os dados foram apresentados pelo vice-presidente da entidade, Fernando Azevedo, e pelo diretor de Assuntos Minerários, Julio Nery.
O minério de ferro foi o principal produto, correspondendo a R$ 157,2 bilhões (52,6%) do faturamento. Geograficamente, a produção se concentrou nos estados do Pará e Minas Gerais, que participaram com 34,5% e 39,9% do volume faturado, respectivamente. O setor também foi responsável pela exportação de 431 milhões de toneladas, gerando receitas de aproximadamente 46 bilhões de dólares.
Cabotagem a Conexão Estratégica
O escoamento dessa produção massiva exige uma infraestrutura logística robusta, e é neste ponto que a cabotagem se torna fundamental. Na Região Norte, principal origem de minérios como a bauxita, o transporte por vias aquaviárias é a solução mais eficiente. A interdependência é clara: o crescimento da mineração impulsiona a demanda por transporte, e a eficiência da cabotagem viabiliza a competitividade do minério brasileiro.
Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) mostram que, entre janeiro e novembro de 2025, a cabotagem na Região Norte movimentou 10,8 milhões de toneladas. O volume representa um aumento de cerca de 200 mil toneladas em comparação com o mesmo período de 2024, com destaque para a alta de 8,25% na movimentação de contêineres.
Bauxita Lidera Movimentação no Norte
O principal produto transportado por cabotagem na região foi a bauxita, que somou 3,86 milhões de toneladas. Este número evidencia a conexão direta entre a atividade de mineração nos terminais paraenses de Trombetas e Juruti e as rotas que abastecem outros mercados nacionais. Além do minério, cargas em contêineres (3,23 milhões de toneladas) e granéis líquidos e gasosos (2,81 milhões de toneladas) demonstram a versatilidade da modalidade para o abastecimento regional.
O Impacto do Programa BR do Mar
Esse crescimento é atribuído, em grande parte, ao Programa BR do Mar. Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, a iniciativa trouxe maior previsibilidade e segurança jurídica, estimulando a concorrência e fortalecendo o transporte aquaviário. 'Os dados da cabotagem na região Norte deixam clara a importância dessa política pública para a integração logística nacional', afirmou o ministro.
Perspectivas e Investimentos Futuros
A perspectiva é de que essa aliança se fortaleça ainda mais. O Ibram projeta investimentos de 76,9 bilhões de dólares em projetos de exploração mineral no período de 2026 a 2030. Esse aporte de capital exigirá uma resposta proporcional da infraestrutura logística, consolidando a cabotagem como um motor indispensável para o desenvolvimento sustentado da mineração e da economia do Norte do Brasil.
Em conclusão, a relação simbiótica entre a mineração e a cabotagem ilustra um modelo de desenvolvimento integrado. Enquanto a extração mineral gera receita e impulsiona a economia, a logística marítima garante o escoamento eficiente, conecta mercados e reduz custos, criando um ciclo virtuoso que beneficia toda a cadeia produtiva e promove a integração de uma das regiões mais estratégicas do país.